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Fila Brasileiro

Diferenças: criador x vendedor

 


Talvez a palavra chave que separa o grande abismo que diferencia o criador do vendedor seja ¨responsabilidade¨. O criador é responsável pelos cães que cria. Chega a ser enjoado. Liga para quem comprou, pergunta a marca da ração que o cão está comendo, da vacina, se já deu o vermífugo naquele mês, e fica irritado se o animal não está sendo tratado com o que há de melhor.

Para o criador de sucesso, o vínculo não acaba com o pagamento. Ele quer ver , por exemplo, o animal brilhar, disputar exposições, e ganhar, até mesmo dos seus próprios cães. Não importa, se o animal veio do seu canil, mesmo que não seja mais o proprietário, sente vitorioso, recompensado, pois ali há um serviço de anos de dedicação com êxito.

Para o criador, o que menos importa é o lucro, e, geralmente é ele o único que não tem lucro. Mas isso é irrelevante. Ele sabe que é o responsável pelo futuro de toda uma raça, que vendendo um produto de boa qualidade, o comprador de hoje, pode ser o colega criador de amanhã, e assim, passando os valores morais e éticos que nortearam sua criação, mantém se a cadeia de criadores, e banem-se os malditos vendedores do mercado.

Talvez não esteja me expressando bem. Os vendedores a que me refiro não são aqueles meros comerciantes de cães, e sim, aqueles que, travestidos de criadores, estragam a raça, e sujam os nomes dos honestos, criadores abnegados, que não se corrompem, pois amam sua criação, e não o dinheiro, que delas, por ventura possa vir. Esses vendedores que se mascaram são os mais perigosos.

Uma grande parcela de culpa do enfraquecimento da cinofilia, mas precisamente da raça Fila Brasileiro, que criamos, é a grande benevolência dos árbitros. Cães que nada se parecem com o padrão original da raça, mestiços a olhos vistos, desfilam com ares de campeão, enganando a quem não conhece, e desmoralizando a classe cinófila. Será que não se pode retirar o pedigree de um cão que mais se parece com o nosso querido SRD (sem raça definida). Nada contra os vira-latas. Ao contrário, todo criador que se preza, nutre por eles um sentimento favorável. Mas que eles não passem por cães puros. Será que é pura inocência ou falta de coragem de algumas das entidades responsáveis, principalmente da maior dela, a CBKC, não encarar esse problema de frente? Ou será inocência minha, com um pensamento tão utópico, e tão distante?

Ora, uma exposição é a oportunidade máxima de um cão e de seu dono. É nela que se julga o plantel nacional; é lá onde se buscam os reprodutores e as matrizes. Para elas, criadores se preparam meses, até anos, gastam seus últimos recursos, viajam horas a fio, ficam noites sem dormir, à espera do desfile de seu cão. E aí, vêem seus esforços jogados fora, quando o cão¨ zebra ¨ do amigo do árbitro, ou do criador mais influente e antigo ganha desonestamente a exposição. de beleza Com isso, criadores honestos, que não aceitam entrar no jogo sujo, se desestimulam e abandonam a criação, deixando o espaço, antes, tão brilhantemente preenchido, à mercê dos destruidores de ideais.


O vendedor nada pergunta a quem está comprando seu cão. Ou quase nada, talvez, apenas se o cheque tem fundos. O criador não, pergunta os hábitos, denuncia os erros, tenta convencer o futuro dono sobre os cuidados que o cão merece, e, pouquíssimas vezes, vende o animal sem ter uma ponta de dúvida se o pobre cãozinho terá um tratamento condizente com o que recebia. E, quase sempre, incomoda o comprador, preocupado se a sua criação está tendo um lar confortável.

O verdadeiro criador não pode ver o outro criador como um adversário. Essa é a finalidade da AGOFIP (Aprimoramento Goiano do Fila Puro). Devemos nos unir. Há lugar para todos que desejam se dedicar ao aprimoramento da raça Fila Brasileiro. Essa é a única raça brasileira de cães de guarda e nada deve aos cães importados. Devemos valorizar o que é nosso. Valorizando o Fila, estamos valorizando nossas cores, nossa história, e o nosso país.

* Tênisson de Sousa Cavalcante

( Criador da raça Fila Brasileiro, proprietário do Canil Santa Luzia, em artigo escrito no ano de 2000, especialmente para o Jornal da AGOFIP)

 

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