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Dr. Paulo: Orgulho de Santos

 

O número 395 da velha Rua Oswaldo Cruz é ocupado por uma casa que ninguém vê. Porque há um muro alto e uma cerca de ficus a encobri-la, entende? Os portões também são fechados. E quem se sentir tentado a espionar pelo vão deixado à altura da campainha dificilmente o fará. Um aviso sobre os cães amedronta qualquer um. E, mais persuasivo ainda que esse aviso. O latido, vindo sabe lá Deus de onde, pertencente a um cão de guarda- que deve ser um monstro de grande - conserva a visita à distância.

Alguns amigos de Paulo e de Antonieta, muitos criadores de cães- de Santos, do estado, do Brasil- conhecem a casa em questão. Ali já foram ouvir o canto dos sabiás.

Para lá enviam correspondência. Mas, mesmo para os moradores da rua e do Boqueirão, o que ali existe, o que dali há décadas, se fez e se faz; a importância do seu proprietário no campo da cinofilia, principalmente, são coisas desconhecidas. No entanto, veja:

Há meses, uma revista alemã, Molosser Magazin, editada na cidade de Herdecke- publicou um artigo em que o nome de Paulo Santos Cruz, conhecido como o pai da raça cão de fila, através de reproduções de vários trechos de artigos seus, publicados em ¨A Tribuna¨, em revistas especializadas brasileiras, era citado nada menos que 35 vezes. Claro que, como informação, Santos e Brasil também participavam da citação. Era o longo trabalho de um criador de cães a levar para países de alta civilização-e de vastos conhecimentos cinófilos- sua contribuição no campo de genética e da zootecnia. Era o reconhecimento de outras plagas ao valor de um criador de filas, que, para orgulho nosso, é de Santos, sim senhor.

Para confirmar a importância dada a Paulo Santos Cruz, na edição seguinte do ¨Molosser¨- em papel couchê, coisa fina como quê- o autor de novos comentários sempre sobre trabalhos do juiz e criador brasileiro, prometia enviar esses artigos, na íntegra, a quem lhe enviasse 3 marcos. É sim, amigo. Mais de 150 cruzeiros vale na Alemanha, a cópia traduzida de alguns artigos do morador da nossa Oswaldo Cruz.

Mas a glória maior ainda estava para chegar. Veio dentro de um envelopão da Cobec- Companhia Brasileira de Entrepostos e Comércio. Encerrava ele a revista ¨ Kloirame¨ que, depois de muitas sondagens, se souber ser da Finlândia. Até lá, imagine a criação e as experiências e observações do Dr. Paulo mereciam, através do articulista J.AU. Youjola, chegar ao conhecimento dos criadores de cães daquele pedaço da Europa.

Pois é amigo. Você saiba termos um dos papas da cinofilia mundial entre nós?

Pois temos. Orgulhe-se, com santista, por tal feito. A Santos que o café celebrizou, a Santos que o futebol de Pelé divulgou tem agora também, no fechado mundo dos criadores de cães, mais um motivo e mais um nome a consagrá-la: ser local em que foi aprimorada a raça do fila brasileiro. Graças a um criador, pesquisador e estudioso do quilate de Paulo Santos Cruz, aquele tranquilo morador da Oswaldo Cruz que, nem mesmo pelos próprios vizinhos, chega a ter seu valor sabido. E reconhecido! (Extraído de ¨A Tribuna ¨de 28/12/81).

* Texto extraído do Jornal ¨O Fila¨, ano III, n° 32, datado de fevereiro de 1982, e, transcrito, com autorização do ex-presidente do CAFIB, ano 2003, Dr. Fernando Zanetti.

 

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