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Fila Brasileiro

Dicas para distinguir mestiços

 

DESQUALIFICAÇÃO POR MISCIGENAÇÃO

1) São aqui destacadas as mais comuns e, para facilidade, divididas pelo aspecto geral, cabeça, etc... Em face da variedade de heranças genéticas, e consequentemente de tipos, não deve o juiz esperar encontrar um desses conjuntos de caracteres num mesmo cão. Portanto, sempre que um ou mais desses caracteres forem encontrados e pelas intensidades e tipicidade o convencerem da miscigenação, deve o juiz desqualificar.

2) Exemplares há ostentando detalhes somáticos denunciadores de várias mestiçagens. O fato não deve surpreender o julgador, pois apenas comprova a extensão e variedade da miscigenação, com utilização de várias e não apenas uma raça.

Comentários

Infelizmente, a dominância e recessividade nos cães ainda não foi pesquisada. Um ou outro fator já identificado, através da observação empírica, como dominante ou recessivo, foi denunciado por seu comportamento ostensivo. Pela primeira vez, em cinofilia, está sendo iniciado um trabalho metódico de pesquisa, para alcançar o genótipo através do fenótipo. É o CAFIB, através de suas análises.

Na primeira geração híbrida (F-1) algumas crias reúnem tantos detalhes da raça Fila que dificilmente podem ser apontadas como mestiças. Todavia, na segunda geração (F-2 ) a variedade de tipos, formas, pormenores é tão grande que a dificuldade se inverte: fica quase impossível selecionar, nessas crias, duas com fenótipos semelhante.

Os cães têm esqueleto igual. As variações rácicas, somáticas, quanto à figura, limitam-se à relação comprimento-altura. Onde porém as raças se identificam e discriminam é na cabeça. Na miscigenação do Fila, é na cabeça também onde se descobre a maioria das denúncias.

Como o padrão adverte, dificilmente o conjunto de caracteres, acusadores da mestiçagem, se reúnem num mesmo indivíduo, mas, quando o juiz identificar alguns deles, delatando-se reciprocamente e compondo um conjunto convencedor, deve desqualificar.

MISCIGENAÇÃO COM MASTINS NAPOLITANOS

1) Tipo fortemente brevilíneo, de pernas curtas, peito largo. Linha superior côncava, dando garupa alta, plana, cauda de inserção alta, curta, tendendo a enroscar e a cair sobre o dorso. Linha inferior em curvas opostas: côncava a do tórax (tórax de rede), convexa à do abdome (esgalgada).

2) Crânio largo, continuando a curva em suas laterais, abauladas, dando à cabeça forma que lembra a de uma bola; por contraste, o focinho fica parecendo estreito. Orelhas de inserção alta. Stop rotundo, formado pelo frontal, alto, fazendo testa. Rima labial em ângulo agudo.

Focinho, de perfil apresentando profundidade igual ou maior que o comprimento. De frente, é estreito, o nariz ocupando toda a sua frente. Sem curvas convexas. Garganta com papadas (peles soltas transversais).

Expressão de enfado, com olhos semicerrados, boca aberta, mostrando a ponta da língua.

3) Cor preto ardósia; fundo cinza com rajas pretas, cinza chumbo.

Comentários

Na maioria dos híbridos de Fila Brasileiro com Mastim Napolitano, esta raça impõe a dominância, embora não absoluta, dos caracteres descritos neste trecho do padrão. Com tantos e tão claros detalhes que evitam incompreensões.

1) Na maioria, esses mestiços ostentam figura longa e baixa. São comuns as frentes com suspensão arriada, ou frente muito baixa e traseira muito alta, deslocando o cento de gravidade para frente, que suporta a quase totalidade do peso do cão. O trem traseiro, livre do peso, perde a aderência ao chão. Quanto à movimentação, esses cães, de propulsores passam a tratores, e, com a idade, sobrevêm a redução do tônus muscular; a frente arria completamente e o pobre animal torna-se um aleijão.

De frente, o peito mostra largura excessiva e, sendo as pernas curtas, não conseguem, no trote, se aproximar da linha de direção. Resultado: para movimentar cada perna terá de libertá-la, atirando todo o peso do corpo sobre a outra, e, de volta, à anterior, numa oscilação exagerada, que o impede de alcançar até mesmo velocidades pequenas.

A cauda geralmente é curta, de raiz muito grossa, afinando subitamente e com tendência a enroscar.

A linha inferior lembra um S deitado: tórax de rede e ventre esgalgado em curva.

2) Apesar da clareza do texto, pode-se deduzir o seguinte: visto de frente, o focinho dos mestiços, além de ter sua frente ocupada pelo nariz, ou seja, sem apresentar focinho de cada lado do nariz, apresenta suas laterais em planos inclinados, diagonais. Em outras palavras, o nariz e a cânula nasal ficam parecendo uma cumeeira, e as laterais, as águas de um telhado. Daí a gíria cinófila denominar esse defeito de focinho de telhado.

O focinho curto não fornece espaço bastante para os 42 dentes, sendo comum, nesses casos, as faltas dentárias. Esse efeito, conjugado com o focinho de telhado, isto é, sem a convexidade bastante para a implantação vertical das raízes dentárias, torna fracos aqueles dentes existentes, por deficiência do enraizamento.

Outros detalhes podem ser aduzidos ao padrão:

A) nos casos de focinhos mais profundos do que compridos, não raro, a linha inferior do focinho desaparece. A partir do nariz, a linha anterior do focinho já desce recuando, descrevendo uma curva até a comissura labial, omitindo, completamente, a linha inferior;

B) outro pormenor esquecido pelo padrão: os olhos, sua cor e forma. É dominante, sem caráter absoluto, a cor do Mastim Napolitano: esclerótica e córneas amarelas, melhor definindo, amarelo escuro opaco, tendo no centro, pupila minúscula bem preta. Gíria já os apelidou de olho de currupião.

A forma e tamanho dos olhos também denunciam: pequenos e com os cantos externos mais baixos que os internos. Olhos circunflexos é o nome dado pela gíria.

Mas, o que surpreende, pela estranha foça de transmissão genética, é a expressão. Dificilmente um mestiço de Fila com Napolitano tem outra que não essa de enfado: olhos semi-cerrados, rima labial em V invertido, semi-aberta, exposta a ponta da língua, cabeça horizontal. Raríssimo mostrarem alegria, contentamento.

Temperamento extremado: mansuetude completa ou violência total com os outros cães. Sistema nervoso fraco. São estes também pontos de boa força de transmissão.

MISCIGENAÇÃO COM DOGUE ALEMÃO

1) Figura quadrada, longilínea, pernas altas, pescoço longo, garganta sem barbelas. Esterno curto, originando ascensão da linha inferior em diagonal (tórax de arenque). Aba do flanco grande, mesmo nos machos, articulações e movimentos firmes. Garupa sem inclinação. Cauda fina. 2 Ombros abertos e deslocados para frente, virtualmente colocados sob o pescoço.

2) Cabeça estreita. Nariz grande e largo. Cabeça com pouca profundidade; crânio chato, plano; stop pequeno; orelhas finas, estreitas, de inserção alta. Olhos tendendo para o azul. Focinho comprido, com sua linha inferior paralela à superior.

3) Cor preta-azeviche; cinza rato ou cinza azulado; fundo cinza com malhas pretas; branco com linhas pretas ou cinzas, ou destas duas cores, pelo muito baixo e muito colado ao corpo, composto por pêlos muito finos.

Comentários

Os Filas dogados são os mais facilmente identificados pela quadratura (altura igual ao comprimento), pernas altas, tórax chato, peito estreito, mas profundo, esterno curto, pele esticada, garganta seca (sem barbelas), articulações firmes, cabeça estreita, orelhas finas, estreitas, pontudas, de inserção alta e horizontal. São estes os caracteres nos quais a dominância desta raça mais se manifesta. Pêlo muito fino, macio, bem colado ao corpo. Temperamento sociável e manso.

Pode acrescentar-se a posição do pescoço e da cabeça. Estes mestiços, habitualmente movimentarão-se a passo, trazem o pescoço levantado, quase a prumo, e a cabeça horizontalmente. A atitude expressa orgulho ou vaidade. Essa posição do pescoço os obriga a erguer muito os pés dianteiros quando em trote suave.

O focinho do mestiço com Dogue, em regra, é de comprimento igual ao crânio. Todavia, devido à pouca profundidade geral da cabeça, parecerá mais comprido. Neste caso, volta-se a aplicar a regra: ¨deve ser e parecer ser¨. Se parece ser, logo é.

A cor preta-azeviche promana de Dogues Alemães arlequins (brancos com malhas pretas ou cinzas com manchas pretas), e não apenas dos pretos. Por isso são comuns os filhotes arlequins ou pretos em ninhada produzidas por pais amarelos, evidentemente, por sua vez produzidos por arlequins.

MISCIGENAÇÃO COM MASTIM INGLÊS

1) Tipo agigantado, tendendo para o quadrado. Dorso reto. Frente mais alta que a garupa.

2) Vista de frente a cabeça é larga, parecendo estreitar entre as orelhas, que são pequenas, em forma de V, finas, de inserção muito alta, praticamente em cima do crânio e quase sempre pretas.

Testa globulosa; stop abrupto, formado pelo frontal. Testa enrugada. Occipital pouco saliente.

De perfil, o focinho é de comprimento igual à metade do comprimento do crânio (1 para 2). Profundo na raiz, porém menos profundo na ponta, trecho no qual o lábio superior não é tão profundo. A linha anterior forma ângulo reto com a superior e é vertical ou até mesmo tombada, denunciando mordedura em torquês ou em prognatismo inferior. Queixo saliente, participando da formação da linha anterior. Máscara preta.

3) Fundo amarelo-abricot com manchas pretas. Estas, muito numerosas, de forma ovalada. Seu número é tal que os trechos do fundo visíveis ficam praticamente da mesma largura das manchas, dando uma falsa idéia de cor rajada ou tigrada escura.

Comentários

O Mastim inglês transmite talhe, tamanho, gigantismo, com todos os seus corolários: mansuetude, alheamento, apatia.

Sua cabeça, vista de frente, comumente lembra um losango: reta e estreita entre as orelhas; larga a meia altura, entre as orelhas; larga a meia altura, entre os zigomas; novamente estreitas junto ao queixo.

O focinho de perfil mostra, na ponta, profundidade muito menor que na raiz. Isto é causado pela linha inferior, ligeiramente ascendente. Quase sempre são prognatas inferiores e exibem máscara preta e também orelhas escuras.

São estes seus fatores de maior força de transmissão.

Aduza-se mais, o tamanho dos pêlos, que é médio. Eles não se acamam bem. E a convexidade do focinho, geralmente bem pronunciada. E mais também a formação de rugas na testa e no crânio, rugas ondulantes e não lingitudinais à cabeça. E, finalmente, a raiz das orelhas, que é horizontal e não inclinada, como no Fila puro. E ainda, a falta de saliência accipital.

O item 3 refere-se à cor dita rajada; todavia, seria melhor definida como fundo amarelo com manchas alongadas pretas. Isto porque, geralmente essas manchas começam junto ao dorso, nascendo largas e ovaladas, estreitando rapidamente, dando assim idéia de rajas. Comumente juntam-se na raiz, formando manchas. Em alguns indivíduos, essas manchas são tão numerosas a ponto de não se poder, convictamente, dizê-lo de fundo amarelo, ou se a cor-base é a das manchas. Pode-se até defini-los melhor como preto estriados de amarelo.

Paulo Santos Cruz

Fundador e ex presidente do Cafib, considerado "o pai da raça Fila", em texto extraído do jornal "O Fila", ano I, nº 7, de junho de 1979, transcrito, com autorização do  então presidente do Cafib, ano 2003, Dr. Fernando Zanetti

 

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